Governador do Amazonas se livra de CPI da Covid, mas Senado recorre da decisão

Publicado em 10/06/2021
por Sanny Santana às 18:25

Comissão ainda vai ouvir ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo sobre colapso no sistema de saúde em Manaus

Após conseguir habeas corpus, o governador do Amazonas, Wilson Lima, se livrou da obrigação de depor, nesta quinta-feira (10), na CPI da Covid, contudo, o Senado vai recorrer da decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber. O recurso para garantir a convocação de Lima foi anunciado pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), no início da sessão do colegiado.

Neste mês, a CPI ainda vai ouvir o ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo sobre o colapso no sistema de saúde em Manaus. Em declarações anteriores, Omar Aziz cobrou que o governo federal, a gestão estadual e a prefeitura de Manaus fossem responsabilizados.

“O governador do Estado do Amazonas perde a oportunidade ímpar de esclarecer ao Brasil, mas principalmente ao povo amazonense, o que de fato aconteceu”, disse Omar Aziz. Ao ler o despacho da ministra do STF Rosa Weber, o presidente da CPI reagiu com ironia. “Uai, constrangimento físico?”, questionou o senador ao ler a decisão da ministra. “Agora tem que decidir. Uma hora somos bailarinos e outra hora, lutadores de boxe”, comentou o senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Omar Aziz e Braga fazem oposição ao governador do Amazonas. A CPI da Covid também aprovou a convocação de outros oito governadores, que fizeram o pedido para que tivessem a mesma garantia do STF. A decisão de Rosa Weber foi vista como derrota para o presidente Jair Bolsonaro na comissão. Integrantes do colegiado avaliam que essa decisão deve ser adotada também para os outros governadores convocados, deixando o foco do desgaste para a gestão do Executivo federal.

Desde que a CPI foi instalada, Bolsonaro tentou transferir responsabilidades a governadores e prefeitos, apontando possíveis desvios de recursos federais repassados a Estados e municípios. Essas transferências foram incluídas no escopo da comissão, que foca principalmente nas ações e omissões do Executivo federal durante a pandemia. O regimento do Senado, porém, proíbe uma CPI de investigar diretamente os gestores estaduais, função que cabe às Assembleias Legislativas. As informações são do jornal Estadão.

Foto: Diego Peres/Secom